Guia Prático

Contação de História

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Cultura africana


Aproveite o Dia da Consciência Negra para trabalhar com os alunos um conto que veio lá da África!


Por Robson A. Santos*

 

Objetivos:
Comemorar o Dia da Consciência Negra
Apresentar um conto da cultura africana
Valorizar a cultura africana

 

 

 

* Robson A. Santos é mestre em Educação, Arte e História da Cultura, educador brincante, pedagogo, folclorista, escritor e contador de histórias. Contatos: professorrobson@uol. com.br

 

 

 

A pluralidade cultural deve fazer parte do currículo escolar desde o Ensino Infantil. E que tal trabalhar o Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado no Brasil em 20 de novembro, trazendo um pouco da cultura africana para os pequenos? A data é uma homenagem à morte de Zumbi dos Palmares, último líder do Quilombo dos Palmares, o mais importante refúgio de escravos no Brasil no século XVII. Mas a cultura africana vai muito além do tema da escravidão, como vemos no conto sobre animais a seguir.

 

 

Um conto africano: a tartaruga e o elefante

Reconto de Robson A. Santos*

Lá pelas terras distantes da África, na região do Benin, as mães contam esta história para seus filhos. Esta história chegou ao Brasil no colo de uma boneca africana (não me perguntem como, só sei que foi assim que aconteceu). Prestem atenção na história que eu vou contar!

Certa vez, a tartaruga, que era muito astuta e arteira, resolveu pregar uma peça no elefante. Espalhou para todos da cidade que ela chegaria ao povoado montado nas costas do elefante, como se ele fosse o seu cavalo. Todos riram e acharam que desta vez a tartaruga levaria a pior.

Com um plano na cabeça, a tartaruga foi até a floresta procurar o elefante que se encontrava calmamente tomando seu banho matinal.
— Olá, compadre elefante! Muito bom dia! Sabe o que andam dizendo de você lá no povoado?
— Bom dia, comadre tartaruga. Não sei! O que andam dizendo?
— Que você não entra lá porque e muito grande e desajeitado e tem medo de estragar alguma coisa.
— Ora, mas que desaforo. Não entro lá porque nem sei como chegar ao povoado.
— Pois vamos resolver isso agora! Eu te mostro o caminho. Assim quando você chegar lá todos ficarão com a cara no chão. O elefante aceitou a oferta e se pôs a seguir a tartaruga até o povoado. Andaram bastante até que a malandra disse:
— Ai, compadre, estou muito cansada. Bem que você podia me dar uma carona em suas costas, né? Pelo seu tamanho nem vai sentir meu peso. E o elefante colocou a tartaruga em suas costas e chegou à entrada do povoado.
— Olha, compadre, vamos fazer uma brincadeira com a gente do povoado. Quando eu coçar suas costas você corre e quando eu colocar minhas unhas em suas costas, você empina e com isso todos ficarão deslumbrados.

E o elefante aceitou o combinado e assim fizeram entre corridas e pulos pelas ruas do povoado. Tudo ia bem, com os dois rindo à vontade, até que a tartaruga deixou escapar:
— Não falei que entraria no povoado montado em meu cavalinho? - e ria para todos que a olhavam espantados.
— Ei! - disse o elefante - Por acaso eu sou o seu cavalinho? Você me enganou!

E pegou a tartaruga com sua tromba e começou a ameaçá-la:
— Pois agora eu vou te jogar naquela pedreira e você vai ver só!
— Pode me jogar que eu tenho a casca dura e nada vai me acontecer.
— Ah é! Pois então vou te jogar naquele lodaçal, no meio da lama...
— Na lama não, por favor. Na lama não, que tenho medo de me afogar.
— Pois é para lá que você vai!

E jogou a tartaruga na lama. Na mesma hora em que ela afundou, já subiu rindo da cara do elefante.
— Aqui é o lugar onde eu gosto de ficar. E ria da cara do elefante. Ele bem que tentou pisar nela, mas só conseguiu sujar suas patas. Ele pisava de um lado, ela aparecia do outro. Ele pisava do outro lado e ela aparecia em outro lugar. Fez isso um tempão até que se cansou e voltou para a floresta, de cabeça baixa.

Quando chegou à floresta contou para os outros elefantes o que havia acontecido e eles ainda riram dele, dizendo que ele não devia ter confiado na tartaruga.

E desde então elefantes e tartarugas não são lá muito amigos e depois dessa presepada os elefantes quase nem aparecem no povoado, pois ficaram com vergonha.

 

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