Espelho, espelho meu... Quem sou eu?


Ajude os pequenos a se reconhecerem desde cedo


Fotos: Itaci Batista / Ilustrações: Shutterstock

Objetivos:
Conhecer a própria história e se reconhecer como parte integrante da sociedade.
Trabalhar a identidade.
Conhecer a história de nome, corpo e preferências.
Desenvolver o raciocínio lógico, a expressão corporal, a coordenação motora e a percepção auditiva.

Faixa etária: a partir de 4 anos.


De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, a identidade tem a função de distinguir, marcar as diferenças, sejam elas físicas, emocionais e comportamentais dos indivíduos. Saber identificar gostos, reconhecer limites, conhecer-se, são ações que se iniciam desde o nascimento até o final da vida de cada ser humano. Porém, toda essa construção não se faz sozinha, ela é influenciada pela sociedade, família, cultura - e a escola tem um papel essencial nesse contexto.

De acordo com as professoras do Colégio Renovação, Fabiana e Rosalva, a fase de desenvolvimento, na Educação Infantil, é de suma importância para que a criança conheça a sua história e se reconheça como ser integrante de uma sociedade. Para isso, é importante que ela conheça a história do seu nome, seu corpo, suas preferências. Para alcançar esse objetivo, as professoras desenvolveram com os alunos do Pré I uma atividade com diversas etapas, que teve início em março e término em novembro. A ideia principal foi construir um boneco que ganhou nome, roupa e passou um dia na casa de cada um dos alunos.

Dica de leitura!
O Mais Valente!

Quatro amigos - um ratinho, um caramujo, um sapo e um passarinho - se encontram e iniciam uma competição para saber qual deles é o mais valente e corajoso. Será que essa competição terá um vencedor?
Autor: Lorenz Pauli
Ilustrações: Kathrin Schärer
Onde encontrar: www.larousse.com.br
Preço: R$ 24,50


1. O projeto tem início
com os alunos registrando e escrevendo o próprio nome.
2. Em casa será realizada a pesquisa sobre a história do nome. Essa parte é realizada com a ajuda dos pais: cada família irá registrar como foi a escolha do nome da criança, além de colocar o seu significado quando souber. A apresentação é feita em roda de conversa na sala de aula.
3. A professora trabalha com as crianças, se possível, músicas que tenham os nomes deles.
4. Confeccionam-se crachás com os nomes dos alunos. Os crachás são feitos com cartolina. De um lado, cada aluno registra seu próprio nome, e do outro, a professora digita o primeiro nome do aluno. Cada aluno enfeita seu crachá da maneira que quiser, desenhando, colando adesivos etc.
5. A professora trabalha com os alunos atividades de percepção e observação do corpo. Em um primeiro momento, em frente ao espelho, é solicitado que o aluno observe as partes de seu corpo. Em um segundo momento, são cantadas músicas que sugerem às crianças encontrarem as partes do corpo que são mencionadas.
6. Parte-se, então, para a pintura do autorretrato. Novamente o aluno se observa no espelho e em fotos, e depois, faz o desenho de sua imagem e de como se vê. Mais tarde, os alunos se reúnem, em roda, e contam para os amigos sobre seus desenhos.
7. Os alunos trabalham técnicas artísticas para representar suas preferências. Nessa etapa, eles trabalham com pinturas livres e recortes de revistas de algumas situações - ou objetos de que gostem: cor, brinquedos, alimentação etc.

Boneco-amigo
Na fase de sensibilização, no início do ano, os alunos constroem um boneco, que ganhará nome e roupa.
1. Primeiro é feito um molde no papel kraft utilizando um aluno como referência
2. Na sequência, a professora faz o boneco em 3D utilizando TNT e jornal para recheio.
3. Depois, é feita uma eleição para escolha do nome e sexo do boneco - que recebe roupas. Olhos e boca são pintados, com canetinha, em um papel, que depois é colado no boneco. O nariz é uma tampinha de garrafa e os cabelos são feitos de lã.

Dica de leitura!
Sai pra lá!

Eram quatro ovelhinhas que viviam em uma fazenda e sempre exibiam sua bela lã macia e sedosa por aí. Até que um dia, de repente, começam a aparecer sem a lã! Sai pra lá! mostra que podemos ser parecidos, mas não somos todos iguais. Cada diferença é importante, todos temos uma característica especial, o que nos torna únicos, cada qual do seu jeitinho...
Autor: Ana Terra
Onde encontrar: www.larousse.com.br
Preço: R$ 26,90


Após feito o boneco, as crianças o levarão durante o ano para suas casas. Segundo a coordenadora do Colégio Renovação, Cristina Nannini, os alunos vestem o boneco com suas próprias roupas, conforme ele visita a casa de cada um deles, no fim de semana e, quando permanece na escola, veste-se como todos, com o uniforme do Colégio. Além disso, o boneco terá um livro de registro com uma pequena descrição, feita pelos pais - com a ajuda do aluno - sobre como foi o dia na casa dele. No retorno para a escola, a professora, em roda, lerá para a turma como foi o fim de semana do boneco.

Dica esperta!
O professor também pode pedir para que os alunos complementem um rosto em uma folha de papel, dando ênfase a uma expressão facial.


Primeiro momento

1. Inicie o trabalho conversando com o alunos sobre as diferenças entre os indivíduos, como cor de olhos, cabelo etc. Faça com que observem, com um espelho, a cor de seus olhos e cabelos e a diferença em relação aos amigos.

2. Monte no chão um rosto, completando-o com os olhos, boca, etc e faça o mesmo na folha com a colagem das partes do rosto com recorte de revista.

Segundo momento
Decore um espelho, com papelão em sua volta e cole pedaços de papel picado. Em seguida, peça às crianças que representem sua imagem com canetinha de retroprojetor.

Terceiro momento
Peça para que as crianças escolham um rosto de revista e complementem com o tronco e vice-versa.

Quarto momento

Trabalhe os cinco sentidos das crianças:

1. Para trabalhar a percepção gustativa, dê às crianças vários alimentos para serem degustados como: chocolate, bolacha, sal, açúcar e bala de goma. Com uma venda nos olhos, elas deverão dizer se o que comeram é doce ou salgado.

2. Para ativar a percepção olfativa, leve diversos materiais e faça as crianças descobrirem o que é. Por exemplo, café, canela, manga e perfume.

3. Trabalhe as expressões faciais, como raiva, alegria, tristeza etc. Cada criança deve dramatizar uma expressão e os demais devem descobrir que sentimento estava expressando e imitá-lo.

4. Conte uma história que fala dos sons que podemos fazer com o corpo, e depois, peça para cada um demonstrar um som que se pode fazer com o corpo.

Quinto momento

Para finalizar o projeto, cada criança deve criar sua figura humana com sucata diversa e depois, em grupo, montar um boneco grande também com sucata. A professora deve expor diversos materiais para que as próprias crianças pensem em como montar o boneco. Na atividade, foi usado caixa de papelão para o tronco, lata de leite para as pernas e rolo de papel toalha para os braços. A cabeça foi feita com uma bola de jornal.

Objetivos:
Identificar todas as partes do corpo.
Experimentar diversas formas de representar o corpo humano.
Ampliar a capacidade de criação por meio da manipulação de diferentes materiais.

Faixa etária: 4 anos.

 

Atividade sugerida pela professora de Arte da Escola Catavento, Ana Cristina:

Com um projeto parecido com o das professoras Fabiana e Rosalva, a professora Ana Cristina Simões, também construiu, com seus alunos, um boneco que os fizesse compreender como o corpo humano é formado. A diferença foi a participação dos alunos na escolha dos materiais que iriam formar o corpo do boneco. "As crianças participaram com entusiasmo da atividade na escolha do material para a construção, e na pintura. Por fim, escolheram o nome da nova mascote da turma: Lili", disse Ana Cristina. A riqueza e a compreensão sobre o corpo humano foi tanta, que a turma pensou até em fazer os braços com dois rolos de papel toalha ligados por linha. A intenção era representar as articulações.

Dica de leitura!
Tá na Cara

Era apenas uma cara - nem feia, nem bonita, nem gorda, nem magra, uma cara como tantas outras. O problema com essa cara é que seus habitantes - nariz, olhos, boca, bochechas etc. - não conseguiam se entender. Brigavam muito e cada um vivia dando palpite na vida do outro. O nariz queria mandar nos colegas e todos reagiam, mudando de lugar, fugindo, contorcendo-se. A confusão era geral! Um dia, no meio da bagunça, a cara passou na frente de um espelho. Como a cara estava horrorosa, com tudo fora do lugar! Então, graças ao espelho, os habitantes da cara perceberam algo muito mais importante.
Autora: Silvia Glezer Zatz
Editora: FTD
Onde encontrar: www.ftd.com.br

Objetivos:
Conhecer melhor a si mesmo.
Perceber as diferenças entre meninos e meninas.
Trabalhar as sensações e sentidos.

Faixa etária: 4 a 5 anos.

 

Descobrindo-me

*Atividade sugerida pelas professoras (Danielle Carvalho Dutenhefner e Bruna Andrade Diego Clemente) de Educação Infantil do Colégio Pio XII.

1. Os alunos desenham os amiguinhos no papel Kraft. Essa atividade é importante para que eles percebam a diferença entre meninos e meninas e os diferentes tamanhos.
2. Leve os alunos para um laboratório. No Colégio Pio XII, os alunos puderam conhecer a boneca Maria e o esqueleto Zé. A boneca pode ser montada e desmontada, possibilitando mostrar os órgãos humanos para as crianças e fazer diversas perguntas: "Tia, para que serve esse monte de coisa?"; "Por fora somos diferentes, mas por dentro é todo mundo igual?"
3. Para facilitar a compreensão desse tema tão complexo, foi produzido, de papel, um esqueleto dos órgãos humanos.
4. Em seguida, as crianças fizeram pesquisas para aprender para que serve cada parte do corpo humano: ossos, sangue, pulmão, coração, estômago, intestino delgado, intestino grosso, fígado, pâncreas, sistema reprodutor feminino e masculino e, por fim, o cérebro.
5. Para ajudar, o Colégio convidou o pai de uma aluna, que é médico urologista, para explicar melhor as diferenças entre o órgão reprodutor masculino e feminino.
6. Também foi feita uma pesquisa dos alunos com a família, sobre os alimentos que fazem bem para o corpo humano e, então, foi montada uma Pirâmide Alimentar mostrando, de forma clara e objetiva, quais alimentos devem ser mais ou menos ingeridos.
7. Para trabalhar os cinco sentidos, foi desenvolvida a "Caixa de Sensações". Cada dia era colocado um material diferente para que as crianças utilizassem um dos sentidos para descobrir qual era o objeto.

Você sabia?
A criança autista, às vezes, não consegue perceber que a imagem refletida no espelho é dela - e nem que é uma pessoa separada da mãe.
Por volta dos 10, 11 meses, a criança percebe que é dela a imagem no espelho.

Dica de leitura!
Urubu Que Queria Ser Passarinho

Aprender a voar foi delicioso e trágico. Delicioso, por causa da sensação, e trágico porque foi quando ele conheceu outras aves e percebeu que ninguém gosta de urubu. Foi procurar ajuda, queria entender a razão de tanto desprezo e acabou encontrando o urubu-rei. Com ele, Urubuzinho aprendeu que é possível vencer o preconceito.
Autora: Antonieta Dias de Moraes
Editora FTD
Preço: R$ 25,20