Um dia no circo


A vida no circo não é só brincadeira. Mostre às crianças que há muito trabalho para que o espetáculo aconteça com essa história


Por Robson A. Santos / Ilustração:Shutterstock

Objetivos:
Estimular a imaginação das crianças
Vivenciar momentos de conhecimento sobre o circo
Promover o respeito aos animais



A
magia da lona colorida
fazia brilhar os olhos dos meninos. Cores vibrantes lembravam um arco-íris, como se o arco colorido tivesse descido do céu para o chão. Os meninos descalços corriam pelo terreiro repleto de trailers onde moravam os artistas dos circos. Nos varais, roupas coloridas secavam ao sol. Ao longe, lavando suas ceroulas coloridas, o palhaço Julião assobiava, entre uma esfregada e outra, uma melodia tocada durante o seu número no picadeiro. Os meninos se aproximaram do senhor que, sem a maquiagem, parecia muito velho.
- Olá, criançada animada, levada e danada! Os meninos riram e se aproximaram do palhaço, que sorria para eles.
- Oi! - disse timidamente um dos meninos.
- Oi, cara de boi! - respondeu o palhaço e todos riram a valer.
- Por que no seu circo não tem leão e elefante?
- Lógico que tem leão. Olha só para minha juba! - disse o palhaço imitando o leão. Para completar a imitação, o palhaço fez cara de mau, rugiu e com as mãos em forma de garra pegou o menino. Enquanto rugia, enchia-o de cócegas. A alegria tomou conta da meninada.

O palhaço fechou a torneira do tanque e sentou-se no chão, pedindo que a meninada fi zesse uma roda ao seu redor.
- Antes os circos tinham animais. Leões, tigres e elefantes faziam parte do espetáculo. Só que muitos circos ganhavam tão pouco que mal conseguiam alimentar os animais da forma como eles mereciam, além daqueles que, ao invés de tratá-los com respeito, maltratavam os coitados. Foi aí que resolveram criar uma lei para que os circos não tivessem mais animais.
- Mas os animais eram muito legais. Meu pai falou isso!
- Sim, era muito legal, mas você já parou para pensar no perigo que as pessoas corriam também? E se algum daqueles animais fugisse e atacasse a plateia.

Enquanto falava, fazia gestos animalescos, assustando os meninos que riam das travessuras do palhaço. Para eles, a vida do circo era uma maravilha. Quando assistiam aos espetáculos acreditavam que era só magia e brincadeiras.
- Eu queria morar no circo! - disse um dos meninos - Aqui é sempre hora de brincar. Foi a vez de o palhaço rir e começar a explicar.
- Não é bem assim! Aqui no circo, quando não estamos no picadeiro, temos nossas tarefas e todos trabalhamos em conjunto, como se fôssemos uma grande família. Temos nosso tempo de folga, mas precisamos ensaiar os números, cuidar da lona, dos objetos, dos carros, da comida e de tudo aquilo que faz parte da nossa vida. Nós nos divertimos porque amamos o que fazemos, mas não é sempre que podemos só brincar, temos que trabalhar bastante. Os meninos olhavam espantados para o que o palhaço falava. Para eles a vida de circo era a maior moleza e de repente descobriam que não era bem assim.
- Outra coisa: durante o espetáculo cada um tem suas tarefas também. Quando eu termino minha apresentação, corro para vender algodão-doce no intervalo. As bailarinas vendem pipoca, refrigerante e cachorro-quente. E assim, todos ajudam para que o circo tenha condições de se manter. E falando em trabalho, o papo tá muito bom, mas preciso continuar a fazer minhas obrigações. Mas antes...
- Aqui estão ingressos para que vocês venham ao espetáculo hoje à noite - disse, tirando do bolso e entregando os ingressos para os meninos. Os garotos agradeceram e correram para suas casas. Precisavam se arrumar para assistir o espetáculo da noite. Não cabiam em si de tanta alegria. Se já gostavam de circo e de palhaço antes de conhecerem um pouco mais daquele mundo, agora estavam mais empolgados ainda.

Fantoche de caixa de leite
Vamos fazer o palhaço Julião?

1 caixa de leite (lavada e seca)
Cola, pincel e estilete
Lã colorida
Tinta acrílica branca, cor da pele, vermelha e azul
Caneta hidrocor preta
Metade de 1 bola de isopor pequena
Papel color set vermelho
Papel crepom
Olhos móveis

1. Corte a caixa de leite na frente e nas laterais.

2. Pinte a caixa com tinta cor da pele.


3. Pinte a metade da bolinha de isopor de vermelho para fazer o nariz. Decore o rosto do palhaço com a tinta e os olhos móveis. Cole pompons de lã colorida para imitar o cabelo. Faça um chapéu com o papel color set e cole na cabeça do palhaço. Faça uma gravata com papel crepom e cole no fantoche.

4. Agora é só movimentar a boca do palhaço segurando na parte de trás da caixa.


Em casa, enquanto se aprontavam, a ansiedade tomava conta deles e parecia que a hora não passava. Enfi m, o sol se escondeu, a lua sorriu e lá se foram eles para o espetáculo. Entraram e correram para sentar na arquibancada bem de frente ao picadeiro, pois não queriam perder nenhum lance. Malabaristas, bailarinas, mágicos, equilibristas, trapezistas e nada do palhaço Julião. Estavam tristes, pois queriam ver o novo amigo. O intervalo chegou e o palhaço Julião não estava vendendo algodão-doce. Perguntaram por ele para a bailarina que falou que ele não estava muito bem e devia estar descansando no seu trailer. Correram para lá, gritando pelo palhaço. Bateram na porta e ninguém atendeu. Voltaram arrasados para as arquibancadas.

O que teria acontecido com o palhaço? O espetáculo recomeçou, mas a alegria dos meninos parecia ter ido embora. Frustrados e tristes, pois o amigo não estava ali. Foi então que, pertinho de acabar o espetáculo, o mestre do picadeiro anunciou a entrada dos palhaços. Os palhaços entraram carregando um baú enorme, mas nada do Julião. Os meninos perderam todas as esperanças, mas de repente, de dentro do baú, quem aparece com um salto? Ele mesmo, o palhaço Julião! Começou a fazer suas palhaçadas e os meninos riam alto. Em determinado momento pareceu que ele olhou para eles e deu uma piscadela. Seria isso ou só o sonho de menino que queria fugir com o circo? Quando o espetáculo daquele dia terminou, os meninos fl utuavam para suas casas, na verdade acredito que eles tenham ido fl utuando pelas cores do arco-íris presente na lona do circo.

Robson A. Santos é mestre em Educação, Arte e História da Cultura, Educador Brincante, pedagogo, folclorista, escritor e contador de histórias. Contato: professorrobson@uol.com.br